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18.07.08
Tudo que lembra Santos lembra praia. Os prédios enfileirados, imponentes e perplexos pela beleza dum jardim enorme, logo ali, respirando a areia da praia. A areia dura não é convidativa. A sujeira famosa mundialmente, também não. Mais o romantismo que cobre o ar, os sorrisos que correm sobre o calçadão, num dia de ondas boas e aqueles sábados intermináveis, esses sim são convidativos. Discordâncias à parte, mistérios inexplicáveis de quem e quando foi o primeiro, tornam Santos, um lugar surreal. Muitas vezes odiado pela falta de onda. E amado pelos seus dias mágicos. Aqueles que à odeiam, provavelmente não tiveram o prazer de estar na água em um dia desses por aqui. Dias em que a nevoa cobre a avenida da praia. Acho que só os surfistas vêem essa névoa. Fica tudo meio melancólico. É como se quiséssemos que esse dia nunca acabasse. Até o transito, já caótico do inicio da manhã, pára. Para esperar o desfile de seres humanos correndo com suas pranchas, cruzando correndo a avenida. A remada é incessante e longa. Mas completamente recompensada por uma onda, incessante e longa. Dai, se repete o ato sacrificial de remar de volta pro fundo sorrindo pra pegar outra logo em seguida. Sei, e tenho certeza, que todos os andarilhos do mar sentem uma saudade imensa desses dias. E essa saudade é instantânea. Logo que saímos da água, já se vêem os vestígios da saudade. pois normalmente paramos na beira pra olhar pra trás e ver como estava bom. Saímos da água felizes e tristes
ao mesmo tempo. Completos e famintos, voltamos pra casa. Cruzando a avenida da praia numa procissão quase religiosa. Novamente o trânsito, já não tão caótico, pára. E aprecia a volta dos mesmos seres, agora molhados, pra suas casas. Dias, que no mínimo, ficam gravados na mente de muitos, se não de todos. Mas dos poucos que vivem a alma santista.
Fonte: Por Jair Bortoleto
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