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18.07.08
Os dias pareciam intermináveis naquele inverno em Santos. Os ventos eram fortes e as ondas constantes. O céu era tão azul que ofuscava a nossa vista.
Mesmo que o frio intenso congelasse nossas cabeças, a sensação de se estar no mar e sentir o terral em nosso rosto era preciosa. Lembro-me de dias curtos também. Dias em que o céu já não era tão azul e as ondas não eram tão limpas. Mais para nós eram enormes. O cinza do céu se contrastava com o paredão de prédios montados em frente ao mar. Era quase um êxtase assistir os ícones da nossa história descerem as ondas em nossa frente. Em frente ao prédio preto logo ali ao lado do posto 2 as ondas eram melhores. Foge do meu conhecimento dizer o porque eram melhores, mais eram. Direitas que eu, na minha pequena estatura e cultura dos meus primeiros anos de surfista, comparava com as ondas havaianas das revistas. Era o clímax de nossos tempos. Ficávamos felizes quando o Maestro entrava na água e remava diretamente para aquele local. Ele ia passando, remando, cumprimentando a todos, e se posicionava no pico. De repente remava em uma onda enorme e descia reto, como se estivesse esperando a espuma branca alcançá-lo, o que nós sabíamos ser quase impossível. Ele era mais rápido que a onda. Virava arqueado pra frente e acertava a crista da onda com uma vontade que só se via em filmes. Depois colocava a prancha no trilho e, cruzando os pés como um rei havaiano ia até o bico da prancha. Ainda lembro dos gritos de todos ao ver aquilo. Lembro da água lambendo as bordas da prancha. Eu passava pela onda lentamente pra ver tudo àquilo de perto. Como se não quisesse esquecer cada segundo daquelas ondas que eternamente estarão gravadas em minha memória. A orquestra do Maestro continua a ensaiar toda vez que tem onda no posto 2. Ele continua a andar como uma Realeza na prancha. Continua mais rápido que ninguém algum dia poderia pensar em ser. Mais os dias se passaram, nós todos mudamos e envelhecemos de certa maneira. As ondas? As ondas ainda estão lá. Grandes ou pequenas ainda estão lá.
Fonte: Por Jair Bortoleto
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