O Gás que faltava no surf santista

06.12.07

Herbert Passos Neto é jornalista, especialista em esportes de prancha e diretor de marketing da...

Trabalhar como diretor de provas do Circuito Natural Art Santos de Surf Pro/am foi uma experiência nova e marcante pra mim, que até então só havia feito as funções internas de diretor de marketing da Associação Santos de Surf, no sentido de tornar a entidade apta a atuar legalmente.

Colocar o evento na praia me ensinou a valorizar ainda mais o trabalho de todos os envolvidos, desde a montagem do palanque, sistema de computação, corpo técnico, pessoal da prefeitura, mídia e assessoria de imprensa, pois dependi diretamente deles. Mas principalmente dos patrocinadores, sem os quais nenhum dos citados acima teria trabalhado.

Com o crescimento da economia brasileira a passos de tartaruga e alta carga tributária, não é mole ser empresário. Muito menos bancar um circuito municipal pro/am de três etapas com cinco mil Reais de premiação em dinheiro em cada uma. Um circuito desses não sai por menos de 60 mil Reais ao ano, ou seja, bem mais do que um carro zero.

Por isso vale destacar a coragem da Natural Art, tradicional marca santista de surf wear, que acreditou na proposta da recém fundada Associação Santos de Surf, em 2005 e abraçou a causa como patrocinadora exclusiva nas três edições do circuito, mostrando um nível de comprometimento com o surf santista sem paralelo nos últimos anos.

Sem isso a associação não teria conquistado metade da credibilidade que alcançou, pois apesar da seriedade e retidão do trabalho interno da entidade com assembléias gerais, contas aprovadas e atas registradas em cartório, a maioria das pessoas só acredita no que vê, e nesse sentido o circuito foi nossa melhor vitrine.

Só quem já fez campeonato sabe o quanto é difícil colocar tudo na praia, sincronizado. Ainda mais com nosso sistema de período de espera que define a realização da prova com apenas 48 horas de antecedência.

Graças ao gabarito e experiência dos profissionais envolvidos (todos têm mais experiência do que eu em campeonatos de surf) pude ficar mais tranqüilo, concentrado em encontrar uma boa previsão de swell de sul em uma data que todos pudessem prestar seus serviços.

O esforço valeu a pena, pois foi único circuito deste ano que se tem notícia que rolou com ondas consistentes (entre um e dois metros) em todas as etapas. Assim como em 2005 e 2006, comprovando a eficácia do sistema, que atraiu atletas de quase todas as cidades do litoral paulista para elevar o nível técnico e garantir o show de surf para o público.

A premiação de cinco mil em dinheiro com certeza foi um grande atrativo. Por essas e outras foi o circuito municipal com maior exposição na mídia, conquistando em média oito inserções na TV por etapa, fora jornal, rádio e internet, dando retorno aos patrocinadores e principalmente aos atletas, que têm a oportunidade de mostrar seu trabalho.

Aproveito para perguntar aos leitores mais inteirados quais são as cidades brasileiras que têm um circuito municipal deste nível, bancado por uma marca local? E quais são as marcas que fazem isso pelo surf de sua cidade natal? Respondam, pois quem faz algo assim merece ser credibilizado.

Em Santos, foi o gás da Natural Art que garantiu a existência do circuito e deu margem para que o evento atingisse seus objetivos iniciais: ser um ponto de união para a comunidade do surf santista, para que a força desta união pudesse recolocar o nome de Santos em evidência no cenário competitivo das pranchinhas.

Desde 2005 o circuito tem unido os principais lojistas e fabricantes e de pranchas da cidade em torno dessa proposta. E agora que finalmente as competições oficiais voltaram a acontecer, é uma questão de tempo e um pouco mais de união para que os novos talentos de Santos voltem a surgir como antes, tanto nas competições como ainda em todas as áreas de atuação que envolvem o surf.

Deixo aqui registrado os meus especiais agradecimentos: a toda equipe Natural Art, pelo comprometimento sem paralelos; à prefeitura de Santos, que através da Secretaria de Esportes tem ajudado mais a cada ano; aos fabricantes de pranchas Viking Surfboards, Rip Wave, Zampol, Jorge Dornelas, Emerson Cortez, Surf?!, Seven Seas, Go Surfing, Silver Surf e New Advance, que são a base da comunidade.

Também à VI Fiberglass, Grupo A Tribuna, Revista Alma Surf e Governo do Estado de São Paulo; Federação Paulista de Surf, juizes, corpo técnico e operadores do sistema de computação; FMA Notícias, veículos de comunicação e todas as equipes de reportagem; pessoal da montagem do palanque; atletas, seus técnicos e pais; Sindicato dos Químicos da Baixada Santista e diretoria; todos os nossos associados que pagam anuidade e freqüentam as assembléias, sem os quais nada disso teria sido iniciado; e finalmente a Deus, que nos dá saúde para viver tudo isso e ainda pegar umas ondas!

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