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29.07.07
Marcos Bukão é diretor de provas pela Confederação Brasileira de Surf, International Surfing Association.
Que carro é mais bonito, um DKW Vemag 1965 ou uma Ferrari Testarossa 2007?
Se você basear sua pesquisa na resposta de apenas duas pessoas, e uma delas for um sessentão saudosista e fanático por caros antigos talvez a conclusão seja de que 50% das pessoas considerem o DKW mais bonito que a Ferrari.
Porém, se voce entrevistar mil pessoas certamente o resultado favorecerá a Ferrari.
Esse exemplo é apenas para demonstrar que uma análise (ou julgamento) sobre algo subjetivo, que não se pode medir , pesar , cronometrar ou contar unitáriamente , depende do número de opiniões para se chegar o mais próximo possível do conceito aceito como correto.
Dentro desta premissa e também seguindo o exemplo de esportes com julgamento subjetivo dentro das Olimpíadas, a ISA realizou uma experiência histórica durante as fases finais do ISA Quiksilver World Junior Championship em Portugal.
Aproveitando-se do fato da competição iniciar em dois palanques e no seu final se concentrar em apenas um, o quadro de juízes que normalmente é de cinco pessoas foi aumentado para OITO juízes. Ao invés de para cada onda serem cortados dois juízes (a maior e a menor nota, sobrando três portanto) foram cortados os dois juízes com as notas mais baixas e o juiz com a nota mais alta, sobrando CINCO juízes para comporem a média de cada onda.
Porquê cortar dois na mais baixa e só um na mais alta?
Duas razões: A primeira é que sobrando cinco juízes (número ímpar) a possibilidade de empates é minimizada, mas principalmente cortar apenas um juiz na parte alta das notas atende ao pedido da maioria esmagadora dos head judges que desejam uma escala mais aberta, evitando que notas comprimidas formem a média final.
Outra novidade: Na planilha impressa pelo computador aparecem somente as cinco notas que compuseram a média final, sendo que os três juízes que foram cortados tem suas notas suprimidas, por não interessarem na média final.
O resultado?
Excelente, e que pode ser medido pelo número de protestos recebidos. Apenas um protesto, e relativo a marcação de interferência, não tendo sido registrado nenhum protesto com relação a scores. A análise das papeletas de juízes mostrava claramente que quando se considera apenas cinco de oito juízes, naturalmente as flutuações entre as notas ficam menores, e além disso, mesmo que algum juiz que fique entre os cinco ainda tenha uma nota fora da média, esta diferença é “ absorvida “ pelas notas dos outro quatro juízes, não implicando em variação sensível no score final.
Outro ponto bastante positivo é que a necessidade do Head Judge “ pilotar” a bateria fazendo eventuais correções fica bastante reduzida, pois a média final sempre reflete a realidade dentro dágua, ficando portanto o Head Judge livre para sua tarefa real, que é a de ser o “ maestro” da banda , apenas ditando o ritmo , mas sem precisar tocar no lugar dos músicos.
Infelizmente este novo formato difícilmente irá vingar em eventos fora da ISA por questões óbvias de orçamento, pois é praticamente inviável se aumentar o número de passagens, salários e estadias de sete para doze juízes, mas de qualquer maneira a experiência foi feita e mostrou um caminho que talvez em futuro a médio prazo seja a resposta para um dos pontos mais delicados e importantes do nosso esporte.
Ah, em tempo... Sob este novo sistema, Jadson André, um brasileiro, foi o grande campeão...
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