Mudanças no critério de julgamento da ASP podem favorecer atletas brasileiros

21.01.10

Neto Neves é Técnico de Surf pela CBS, ISA e Surfing Austrália.

Fotos: Valclei Lemos
Autor: Neto Neves

A ASP (Association of Surfing Professionals) anunciou uma série de mudanças nos critérios de julgamento do ASP World Tour, ASP Women's World Tour, ASP World Qualifying Series (WQS) e ASP Pro Junior 2010.

Segundo Perry Hatchet, head judge da ASP, "É fundamental que os critérios estejam em constante evolução e estimulem o surf de alta performance. Esta revisão dos critérios é resultado de muitos debates e discussões entre os membros do nosso respeitado quadro de juízes, bem como os melhores surfistas do mundo".

Os juízes analisarão os seguintes conceitos chaves quando avaliarem as ondas surfadas em uma bateria:

- Compromisso e grau de dificuldade das manobras
- Manobras inovadoras e progressivas
- Combinação das principais manobras
- Variedade de manobras
- Velocidade, pressão e fluidez

É importante notar que a ênfase em determinados conceitos deste critério depende muito do local e das condições apresentadas, bem como das mudanças nas condições do mar durante o dia.
Escala de pontos:

0,0-1,9 = Fraco
2,0-2,9 = Ruim
4,0-5,9 = Regular
6,0-7,9 = Bom
8,0-10,0 = Excelente



DEIVID SILVA EXIBE ESTILO CLÁSSICO NA PRAINHA


O dirigente explica ainda que "Surfistas e fãs do esporte precisam entender que certos aspectos de uma maior pontuação obtida, dependem fundamentalmente do local do evento e das condições do mar durante a prova.

Por exemplo, a mesma abordagem ao avaliar o surf na praia de Trestles em condições clássicas não será considerada pelos juízes, quando aplicada às condições clássicas em Pipeline, já que condições clássicas em Trestles favorecem às manobras mais modernas e progressivas, enquanto que as condições clássicas em Pipeline exigem um surf mais comprometido com o desafio."

No Brasil

Na prática, essas mudanças não causam nenhuma surpresa para os surfistas brasileiros, na medida em que esse conjunto de atualizações divulgados agora pela ASP, já é adotado pelos juízes brasileiros a algum tempo, e inclusive, podem favorecer nossos atletas.

Isso porque os surfistas brasileiros estão totalmente adaptados a essas mudanças, e já incorporaram esse conceito em suas performances. Ponto para os competentes juízes brasileiros que através de sua experiência, indicaram o caminho para aonde as performances dos nossos atletas deveriam caminhar.



DEIVID SILVA MOSTRANDO UM SURF PROGRESSIVO E INOVADOR


Se olharmos as últimas competições nacionais e internacionais com a participação de surfistas brasileiros, fica claro que, nossos atletas não só estão comprometidos com as novas exigências, como também elevando os seus limites.

Procurar executar manobras com alto grau de dificuldade, nos pontos mais críticos, com uma abordagem moderna e progressiva, variando e linkando uma manobra na outra, sem deixar espaços, com velocidade, pressão e fluidez, não é novidade para os nossos atletas e portanto a expectativa é de uma grande temporada para os surfistas brasileiros, não sendo essas mudanças , obstáculo para que isso ocorra.

A temporada 2010 começa pra valer na próxima semana com a etapa de nível 6 estrelas do WQS( World Qualifyng Series) na praia de Paracuru, CE. Uma grande oportunidade para observarmos as performances de brasileiros e estrangeiros avaliados sob o novo critério.

Fonte: Neto Neves

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